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Tempo de parar e mergulhar no universo.

Depois de correr por muito tempo para fugir de seres que surgiram na sua frente algumas horas atrás, na saída de um bar , o silêncio daquela noite o atormentava ,deixando-o assustado e exausto. Olhava para trás , ninguém vinha em sua direção. Estava longe da sua casa e se perguntava , quem eram aqueles seres tão estranhos?

Não tinha nenhuma resposta para o que viu, ou quem sabe colocaram alguma substância em sua bebida? Uma possibilidade.

Mas pareciam tão reais. Nunca tinha visto algo parecido ,nem parecidos com os extraterrestres dos filmes ou livros de ficção científica.

Na internet costumava assistir vídeos sobre vida em outros planetas e depoimentos de pessoas que entraram em contatos com extraterrestres e nada se comparava com o que tinha visto. Enquanto caminhava nas ruas desertas de madrugada, estas perguntas e pensamentos surgiam rapidamente em sua mente. Será que ele seria o próximo a entrar nesta fantasia coletiva?E por que correu? Não seria melhor enfrentar essa visão de uma vez e deixá-la se evaporar no vazio da sua mente?

Ainda não se sentia preparado para enfrentar essa realidade insólita, apesar destes assuntos sempre atraírem sua curiosidade e atenção.

Surgiu em sua mente,

também, a ideia de ir a um psicologo , por ser solitário e a realidade o oprimir, fazendo-o fugir para dentro de si mesmo, e dividir essas aparições com uma pessoa acostumada com alucinações ou delírios, se fosse esse o caso.

A vontade que tinha era de não parar de caminhar para não enlouquecer , ou medo que de repente surgissem as aparições na sua frente e tivesse que enfrentar essa realidade de uma vez .Não tinha escolha, só restava caminhar e caminhar. Não queria parar , não queria ir para casa, nem queria dormir, pois a sensação que o acompanhava era que não devia ter fugido.Nervoso, riu de si mesmo,porque a sensação de que não devia fugir das aparições estava o atormentando mais que as supostas alucinações.

Além destas aparições que viu a pouca horas, outros pensamentos surgiram como a situação que estava passando a algum tempo. Talvez tudo estivesse ligado. Era o que constatava nas reflexões que fazia enquanto caminhava. Mas por que ele a passar por tudo isso?Devia ser uma escolha aleatória, logo ele que era tão comum ,sem nenhum atrativo intelectual ou qualquer outra coisa,a única razão para todas essas situações que estava passando.

Estava passando por tantas sincronicidades ultimamente, essa palavra aprendeu depois de ler Jung , riu de novo. Era tudo muito irônico ao mesmo tempo,uma piada que a vida resolveu lhe pregar. A solidão possibilitava aventuras totalmente esquisitas, fazendo-nos rir de pensamentos, imagens, do filme que surge rápido da nossa vida tão insípida neste planeta. Nascer e morrer, ,nesta vida,quer dizer, e nascer e morrer em outras vidas, quem sabe?Inventamos tantos atos para preencher vidas tão estupidas e sem sentido; alguns, pensou, são mais pacíficos e inventam mundos que a maioria viaja para fugir da realidade da vida.

Todos esses pensamentos surgiam para tentar explicar as aparições, depois de fazer um vídeo no computador sem nenhuma pretensão para testar sua performance diante da câmera, e a ligação com o que passava. Uma ideia nasceu, como uma faísca ,na sua mente,

a possibilidade da internet ser uma invenção de extraterrestres, tentativa deles poderem se conectar com os terráqueos e ajudá-los a tomar consciência de uma percepção mais ampla e não se limitarem a uma realidade que só pudessem tocar. Essa ideia é a que queria acreditar, a tentativa deles fazerem com que os terráqueos vivessem em paz e preservassem a natureza ao seu redor e dentro de si mesmos, porque sabiam que tudo estava ligado no universo. Além deste vasto universo que tínhamos consciência ,devia existir outros universos, pensou. E qual seria o portal de entrada para outros universos? Eramos tão solitários fechados em nossos universos que tínhamos que inventar outros universos dentro de outros universos.

No vazio da madrugada,gritou, ONDE ESTÁ O PORTAL? Intuitivamente pensou. Quem sabe esses seres o ouvissem .Não estava errado.No mesmo instante,percebeu que o tempo tinha parado, o silêncio o rondava, as luzes da cidade estavam apagadas, nem as corujas estavam a espreitá-lo caminhar solitário como sempre.Pensou,Será que estou morto? Por que fugiu? Percebeu que aparições estevam sempre com ele por não enxergar que uma luz branca calmante o envolvia. Sentiu em paz, pela primeira vez , consigo mesmo. Não pensou em mais nada. Começou a flutuar no espaço. A fuga o impossibilitava de flutuar e sentir se bem. A fuga de si mesmo. Não era das aparições que queria fugir, era de si mesmo.

A hora chegou ; o portal se abriu. Entrou no túnel que surgiu a sua frente , flutuou no espaço interno que era todo espelhado e que parecia não ter fim.Sua imagem aparecia infinitamente nas paredes do túnel , não era mais como se via no espelho todos dias antes de sair de casa.Ele estava todo iluminado com luzes coloridas cambiantes, que se irradiavam em todo o espaço do túnel. Não havia mais silêncio, uma música suave, transcendental penetrava todo o seu ser . Ele era a música. O medo tinha desaparecido, a angustia evaporou-se. Só a luz e a música o acalentava.Seu corpo não existia mais. Ele era a luz e a música, o espaço era a luz e a música. Vozes surgiam, vozes embaralhadas,e sumiam de repente. Eram vozes dos terráqueos , as mesmas vozes que ouvia todos os dias ,desde do momento que acordava, com o rádio,até o momento que ia dormir, com a televisão ligada. Nas paredes espelhadas, um filme rápido mostrava a vida na terra, desde do tempos remotos,com guerras, invenções, nascimentos,mortes que surgiam rapidamente e desapareciam no nada.Sentiu que em toda sua vida não sabia quem era, agora sua verdadeira identidade se revelava, não era um terráqueo.Vieram buscá-lo para levá-lo para sua verdadeira casa, para seu planeta. A paz. O amor e a paz eram o seu planeta. Não tinha mais medo da solidão. A terra surgiu na sua frente distante; a saudade da sua beleza o fizeram chorar.Uma voz no seu interior dizia que os animais ,que tanto matavam com violência, crueldade e doença, eram os guias dos seres humanos.Matavam sua visão mais ampla de si mesmos para caminharem na morte, no escuro como cegos.Não sabiam que matavam a visão mais profunda de si mesmos, pelo prazer de um poder ilusório . Ilusões que os consumiam . A pior fantasia que inventaram para preencher o vazio de suas vidas. Não teve vontade de voltar ao planeta terra, apesar de achá-lo o planeta mais belo do universo.Mas pelos terráqueos que ainda não tinham consciência totalmente da verdade de si mesmos.

Um dia talvez volte para esse belo planeta, quando os seres humanos se transformarem num só ser, um ser de amor e paz e sentissem sua real e divina natureza.

Onde todos os seres humanos fossem livres para viajarem em si mesmos sem medo .

Não foi ele que pensou isso; foi a inteligência universal , na forma de coruja e que sempre o espreitava nas caminhadas durante a madrugada rumo a sua casa solitário, que o fez tomar consciência que não estava sozinho.


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